Cinco contos do ano de mil seiscentos e catorze — quando Tokugawa Ieyasu mandou queimar todas as igrejas do reino, e a fé portuguesa ficou clandestina, e os corações que ela tinha aberto não se deixaram fechar. Padres escondidos em pavilhões de chá. Náufragos portugueses sob a chuva de Tanegashima. Filhas de carrascos com a chave da cela.
Quando o carrasco de Hirado é encarregado de executar um padre português capturado, é a sua própria filha — desprezada pela cidade, sem nome, sem futuro — que desce à cela com a chave roubada, e descobre, em duas semanas, que há amores que não se vivem mas se guardam.
Quando a filha bastarda do daimyō descobre que o homem ferido escondido no pavilhão de chá é o jesuíta que a sua família jurou entregar, é tarde de mais para o coração obedecer à honra — e o amanhecer trará uma missa que ninguém ousará esquecer.
Setenta anos depois do primeiro arcabuz ter chegado à ilha, uma viúva de armeiro recolhe das rochas um português meio-morto — e descobre, em três semanas de Outubro, que o coração tem geografias que a honra não conhece.
Forçada a apostatar em público para salvar a vida, uma jovem cristã de Hirado é salva — ou condenada — pela inesperada chegada do português que jurou nunca mais voltar a vê-la, e descobre que há reencontros que demoram dezassete anos.
Vestido de mulher para fugir do édito, um jovem mestiço descobre, a bordo da nau que o leva para Macau, que o capitão é o pai que nunca conheceu — e que o coração tem nomes que não escolhemos.
«Tratai o romance histórico do período Nanban como merece: com seriedade, com ternura e com a gravidade que se deve a qualquer literatura em que um coração se quebra a cada duas páginas.»